|
Altamiro Silva Júnior, de São Paulo
A Porto Seguro, maior seguradora de automóveis do país, se prepara para crescer fora de São Paulo. Líder isolada no mercado paulista, a Porto tem presença menor em outras regiões do país. Mas isso deve mudar após o negócio fechado com o Itaú Unibanco. "Ganhamos da noite para o dia uma rede nacional de distribuição de 4.900 pontos", disse ao Valor o presidente da Porto, Jaime Garfinkel.
A Porto já vinha tentando há alguns anos diminuir o peso de São Paulo em sua carteira de automóveis. Na abertura de capital da empresa, em 2004, essa era uma promessa feita aos investidores. Agora, a estratégia ganha impulso extra, pois no acordo com o Itaú Unibanco, a Porto terá direito de vender seus seguros aos clientes do banco em todo o país.
Mesmo perdendo noites de sono há vários dias e não conseguindo mais andar de bicicleta, seu hobby predileto, Garfinkel está animado com as perspectivas que o acordo abriu para a Porto. A companhia ganhou escala maior para competir no mais disputado ramo do mercado de seguros brasileiro, o de automóvel. "Tenho costas quentes agora", brinca o executivo.
O segmento deve movimentar cerca de R$ 18 bilhões este ano em prêmios. A fatia da Porto, quando se inclui a carteira do Itaú, deve ficar na casa dos 28% desse mercado. Vai ser difícil tirar a Porto do topo do ranking, diz um consultor do mercado.
Apesar do sucesso do negócio, inédito para o mercado segurador brasileiro, Garfinkel diz que "ele não garante sucesso futuro". Por isso, ele prevê um período de trabalho extra até a consolidação do modelo, que ainda precisa ser aprovado pelas autoridades regulatórias brasileiras. "A operação dá um embalo fantástico para a Porto, mas temos que saber aproveitar esse embalo."
Em um segundo momento, após essa consolidação, a parceria pode ser expandida para outros ramos do setor de seguros. Para o mercado internacional, o acordo prevê acesso à rede do Itaú no Uruguai. A Porto também tem uma seguradora no país vizinho e deve aproveitar os pontos de venda do banco por lá.
Para tocar a Porto no novo cenário pós-associação com o Itaú, Garfinkel tem carta branca. "O banco me deu liberdade total." Esse ponto foi fundamental para o fechamento do negócio por um simples motivo. "Queria o controle da operação porque não sei gerir um negócio de outro jeito", diz Garfinkel. Ele toca a Porto desde 1978, quando seu pai, que havia comprado a seguradora em 1972, morreu.
Garfinkel pretende aproveitar alguns modelos da seguradora de carros do Itaú, como no caso da regulação de sinistros. Alguns serviços extras para os clientes que eles oferecem (e a Porto não) também podem ser incorporados. Garfinkel também pretende aproveitar os corretores e pensa em formas de colocar os corretores da Porto nas agências do Itaú. Mais do que uma estratégia de crescimento, a operação fechada com o Itaú tem como objetivo garantir a "perenidade" e a "solidificação" da empresa, diz ele.
|